Copom mantém Selic e eleva tom de cautela sobre inflação de serviços
O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa Selic em 10,75% ao ano na reunião desta semana, decisão que era amplamente esperada pelo mercado. O que surpreendeu foi o teor do comunicado — mais duro do que o anterior, com ênfase explícita na "resiliência da inflação de serviços" e na necessidade de "monitoramento contínuo" do processo de desinflação.
O núcleo de serviços do IPCA, que exclui itens mais voláteis, acumula alta de 6,8% nos últimos 12 meses. Para o BC, esse número é preocupante porque reflete pressões de demanda doméstica — mais difíceis de controlar do que choques de oferta.
Mercado de trabalho aquecido
Com o desemprego em 6,8%, o menor nível em mais de uma década, os salários reais continuam crescendo. Isso sustenta o consumo de serviços — e, por consequência, a inflação nesse segmento. O BC sabe que não pode ignorar esse vetor.
A próxima reunião do Copom está marcada para setembro. Até lá, dois dados serão determinantes: o IPCA de agosto e os dados do mercado de trabalho do segundo trimestre. Se ambos vierem acima do esperado, a conversa sobre corte de juros vai se tornar ainda mais distante.